Demência e redes sociais

Como acompanhar pessoas com Demência no mundo digital
As redes sociais fazem parte da vida moderna e podem ser uma excelente forma de manter o contacto e os interesses pessoais. No entanto, para pessoas com Demência, o seu uso pode trazer alguns desafios. Apesar dos benefícios na ligação com outras pessoas, é importante ter atenção à privacidade, à segurança e ao bem-estar online. Algumas pessoas com Demência sentem-se confortáveis a usar redes sociais, mas podem tornar-se mais vulneráveis a burlas, confundir identidades ou ter dificuldades em gerir a segurança online. Por outro lado, a perda de inibição pode levar a comentários ou publicações consideradas inadequadas. Quando isso acontece — por confusão, irritação ou crenças incorrectas — existem estratégias que podem ajudar a apoiar a pessoa.
7 Dicas para ajudar alguém com Demência a usar as redes sociais
1. Esteja atento a possíveis gatilhos
Reflectir sobre quando e porquê a pessoa diz ou faz coisas inadequadas online pode ajudar a compreender o que se passa. Pode existir um tema específico, uma interacção com alguém, o uso involuntário de um emoji inadequado, uma má interpretação das regras da plataforma, etc. que causem irritação à pessoa.
Identificar gatilhos emocionais ou comportamentais e reduzi-los, pode diminuir estes comportamentos. Além disso, se existirem crenças incorrectas ou delírios sobre outras pessoas online, o conhecimento sobre as alterações da percepção típicas da Demência podem ser úteis para lidar com a situação.
2. Considere as necessidades da pessoa com Demência
Reflicta sobre que necessidades estão a ser satisfeitas com o uso das redes sociais. Por exemplo, a pessoa pode sentir-se sozinha ou desinteressada noutras actividades ao longo do dia. Nesse caso, envolver-se em actividades lúdicas, grupos ou interacções sociais pode reduzir a dependência das redes.
Se o uso estiver relacionado com o tédio, procurar alternativas online mais adequadas também pode ajudar.
3. Avalie contar aos amigos e familiares que usam as mesmas aplicações ou plataformas
Considere informar algumas pessoas com quem a pessoa interagiu online sobre o diagnóstico de Demência. No entanto, se a pessoa tiver capacidade para decidir, essa escolha cabe-lhe exclusivamente a ela e o diagnóstico só deve ser partilhado com o seu consentimento.
Caso a pessoa não tenha essa capacidade, a divulgação deve ser feita com cautela e apenas no seu melhor interesse.
Em alguns casos, pode ser mais adequado remover certos contactos das redes sociais do que divulgar o diagnóstico.
4. Peça para partilhar a palavra-passe
Se a pessoa aceitar partilhar a sua palavra-passe, isso pode ajudar a garantir que não existem mensagens preocupantes ou pedidos de amizade de desconhecidos. Embora possa parecer intrusivo, é importante focar-se nos benefícios, como a protecção contra burlas ou a ajuda em caso de perda ou esquecimento da palavra-passe. Deve ficar claro que não haverá interferência nas actividades online, excepto quando for estritamente necessário. Com o consentimento da pessoa, o acesso à conta permite ainda corrigir ou remover conteúdos inadequados e reforçar as definições de segurança e privacidade.
5. Altere as configurações de privacidade
A maioria das redes sociais permite ajustar as definições de privacidade para limitar quem pode ver as publicações. Explique à pessoa que pode ajudá-la a configurar a aplicação para que apenas as pessoas escolhidas por ela tenham acesso ao que publica.
Embora isto não evite totalmente publicações inadequadas, pode reduzir o número de pessoas que vêem as publicações, sobretudo aquelas que desconhecem o diagnóstico de Demência e que poderiam sentir-se incomodadas.
6. Crie um novo perfil
Outra opção é criar um novo perfil nas redes sociais, com um número reduzido de contactos e limites sobre como e onde a pessoa pode publicar.
Mais uma vez, o consentimento e a capacidade da pessoa devem ser tidos em conta.
Este novo perfil permite que as publicações sejam vistas apenas por pessoas que compreendem que, ocasionalmente, a pessoa possa dizer coisas inadequadas, ajudando também a reduzir o risco de burlas e contactos indesejados.
7. Crie novos grupos de mensagens
Cada rede social tem as suas próprias regras e formas de funcionamento, que podem mudar com frequência e tornar-se difíceis de acompanhar.
Se a pessoa sentir dificuldades, uma alternativa é criar um grupo fora das redes sociais, como no WhatsApp, apenas com familiares, e incentivá-la a usar esse espaço. Nesse caso, pode ser útil apagar as aplicações ou plataformas indesejadas do telemóvel ou computador, ajudando a pessoa a habituar-se à nova aplicação.
Em todas estas decisões, é essencial respeitar a capacidade mental e o consentimento da pessoa.
Adaptado de: alzheimers.org.uk
