Défice Cognitivo Ligeiro

O Défice Cognitivo Ligeiro (DCL) é uma condição caracterizada por alterações na memória e/ou no raciocínio que são superiores às esperadas no envelhecimento normal, mas que não preenchem os critérios para demência.
Apesar de estas alterações serem perceptíveis pela própria pessoa e por quem a rodeia, não comprometem a sua autonomia nas actividades da vida diária.
Ou seja, pode ser um sinal de uma doença que acabará por causar demência, mas também pode resultar de outros problemas de saúde existentes, como:
- depressão, stress e ansiedade
- deficiências vitamínicas
- distúrbios da tiróide
- doenças autoimunes
- infecções
- efeitos colaterais de medicamentos
- distúrbios do sono (exº – apneia do sono)
Sempre que surjam alterações ligeiras na memória ou no raciocínio, é importante procurar o médico o mais cedo possível.
Isto porque um diagnóstico precoce e adequado ajuda a compreender a situação e a agir atempadamente.
Quando o Défice Cognitivo Ligeiro não é causado pela doença de Alzheimer ou outros tipos de demência, os problemas de memória e raciocínio podem voltar ao normal com o tratamento adequado.
Quais são alguns dos sinais/sintomas comuns do DCL?
👉 esquecer-se das coisas com mais frequência
👉 perder frequentemente o fio da conversa
👉 dificuldade em lembrar-se de compromissos e/ou eventos agendados
👉 dificuldade em orientar-se em locais ou ambientes familiares
👉 maior dificuldade ou ansiedade em tomar decisões, planear ou seguir instruções
Estes sinais e/ou sintomas podem afectar alguém com DCL de forma contínua ou podem aparecer e desaparecer, dependendo da causa subjacente.
Qual é a diferença entre DCL e demência?
O DCL representa um estado intermédio entre o envelhecimento normal e a demência.
Ao contrário da demência, o DCL tem pouca interferência na vida diária da pessoa. Alguém que vive com DCL geralmente é capaz de trabalhar, conduzir, e realizar tarefas diárias com segurança e sem a ajuda de outras pessoas.
Em contrapartida, as demências causam alterações progressivas no funcionamento do cérebro, o que significa que os sintomas pioram com o tempo à medida que este se deteriora.
Apesar de indivíduos com défice cognitivo ligeiro correrem maior risco de desenvolver algum tipo de demência, é importante realçar que essa progressão não ocorre em todos os casos.
Assim sendo, estima-se que, por cada 10 pessoas diagnosticadas com DCL, apenas 1 irá desenvolver demência e 5 podem ver os seus sintomas melhorarem, dependendo da causa.
No entanto, para aqueles que desenvolvem demência, o tempo que demora até que os sintomas piorem e comecem a afectar a capacidade de realizar eficazmente as actividades diárias, pode variar de pessoa para pessoa.
Como é diagnosticado o DCL?
Como já foi referido, quando se detectam problemas com a memória ou capacidade de raciocínio, é importante procurar ajuda médica, logo que possível.
Além disso, os sintomas devem ser registados num diário, constituindo um elemento de apoio relevante no contexto da consulta.
Sempre que possível, é importante que um familiar ou pessoa de confiança do doente esteja presente. O seu testemunho é fundamental para confirmar alterações nas actividades da vida diária, além de permitir identificar sinais e sintomas cognitivos ou comportamentais que podem não ser percepcionados pelo próprio doente.
O médico recolhe informações sobre a história clínica do doente, medicamentos que está a tomar e qualquer outra informação relevante.
Pode realizar um exame físico para avaliar a coordenação, o equilíbrio e alguns movimentos reflexos. Pode também solicitar análises ao sangue e urina para excluir outras causas do comprometimento cognitivo.
Se for detectado um problema de saúde que justifique as queixas apresentadas pelo doente, este deverá ser tratado.
Contudo, se nenhuma causa for encontrada, a pessoa deverá ser encaminhada para um serviço especializado, para realizar exames adicionais.
Deverão ser realizados testes gerais à função cognitiva, para avaliação da memória, linguagem, atenção e outras capacidades.
Os exames de imagiologia, como a Tomografia Axial Computorizada (TAC) e a Ressonância Magnética (RM), são utilizados para avaliar alterações na estrutura do cérebro, nomeadamente sinais associados à demência, como a redução do volume cerebral.
Exames mais específicos, como uma Tomografia por Emissão de Positrões (PET) ou uma Punção Lombar (PL) podem fornecer informações adicionais sobre a provável causa subjacente à disfunção cognitiva.
Em termos práticos, os testes utilizados para detectar o DCL são essencialmente os mesmos que se utilizam para o diagnóstico de demência.
Existe tratamento para o DCL?
Para pessoas cuja causa subjacente do DCL é uma patologia tratável, deve ser instituído o tratamento adequado.
Quando se trata de uma fase inicial de algum tipo de demência, até ao momento, não se dispõe de um tratamento específico.
O treino cognitivo, que envolve exercitar a memória e outras capacidades do cérebro, tem mostrado potencial benefício para pessoas com DCL.
Alguns estudos indicam melhorias na memória, atenção, humor e qualidade de vida. No entanto, ainda não se sabe exactamente quanto tempo duram esses efeitos, quão importantes são no dia a dia, ou se podem atrasar a progressão para demência.
É fundamental manter ou adoptar hábitos saudáveis, como praticar exercício físico, ter uma alimentação equilibrada e controlar os factores de risco cardiovascular. Além disso, é importante valorizar as interacções sociais e envolver-se em actividades ou projectos que representem um desafio.
É fundamental monitorizar os sintomas ao longo do tempo, mantendo um registo regular num diário ou calendário de saúde. Esta prática permite identificar alterações ou agravamento dos sintomas e facilita a comunicação com a equipa médica, garantindo um acompanhamento mais eficaz e atempado.
Quais são os factores de risco?
Os principais factores de risco para o DCL são os mesmos que para a demência:
👉 idade
👉 história familiar de demência
👉 estilo de vida
👉 doenças crónicas como diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares
O DCL pode ser prevenido?
Embora não exista uma forma garantida de prevenir a DCL, existem medidas que podem ajudar a cuidar da saúde do cérebro e reduzir o risco de problemas de memória e raciocínio.
Pode considerar-se que as abordagens destinadas à prevenção da demência têm potencial utilidade para pessoas com DCL.
Para mais informações sobre os factores de prevenção da demência, consulte a publicação:
